A vida após o confinamento: checklist de volta às aulas para crianças com necessidades especiais
Neste artigo Dicas para começar bem o ano O ponto principal é... Monte a sua equipe
Neste artigo
- Dicas para começar bem o ano
- O ponto principal é...
- Monte a sua equipe
Quando a minha filha Elizabeth era pequena, eu ficava ansiosa e perdia o sono com a transição de volta ao novo ano letivo, mesmo com ela super animada para voltar. A Elizabeth é cega e usa cadeira de rodas. Ela não falava e usava muitos aparelhos médicos para comer, respirar e, bem, simplesmente viver. Mas, como para a maioria dos pais, o fim do verão indicava o momento de recomeçar o planejamento pedagógico da nossa filha. Este ano, no entanto, as coisas estão bem diferentes.
Na nossa situação atual, a nossa equipe está um pouco desarticulada e, mais do que nunca, eu sou o ponto central e a guardiã das informações. Por mais cansada que eu esteja, e acumulando tantos papéis, é meu dever liderar essa reintegração escolar com sucesso.
Manter a paciência, a consideração e o entusiasmo é um desafio — mas é extremamente importante!
Como mãe e profissional que orienta famílias diariamente sobre essas questões, quero compartilhar algumas dicas para ajudar você a começar o ano com o pé direito.
Aqui estão algumas perguntas que você deve se fazer ao montar um checklist de volta às aulas para o seu filho com necessidades especiais.
Dicas para começar bem o ano
- Revise o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) do seu filho. Ele fez progressos suficientes em relação às metas estabelecidas? O que você observou durante o período de ensino à distância? Ele se adaptou bem ao aprendizado individualizado ou precisa de mais apoio? Você está em uma posição privilegiada para relatar essas observações. O que precisa ser mudado ou atualizado para o novo ambiente?
- Organize e avalie qualquer informação nova que tenha surgido durante esse período. Seu filho ficou doente ou houve alguma alteração no quadro dele? Aconteceu alguma mudança na situação familiar? Houve algum novo diagnóstico? Se sim, você tem novos laudos ou avaliações para compartilhar? Gravou alguma dessas sessões pelo ZOOM?
- Este é um ponto crucial. Você precisa decidir se sente segurança em mandar seu filho de volta para a escola neste momento. Você tem o direito de saber e entender quais serão os protocolos da sala de aula e da escola para mantê-lo seguro. Considere também quaisquer necessidades de saúde que seu filho possa ter. Ele tem um Plano de Saúde Individualizado (PSI) que precisa ser atualizado de acordo com os novos protocolos? Se não tiver, deveria ter um agora? Um Plano de Saúde Individualizado é exigido por lei quando uma criança tem uma condição médica que afeta seu acesso à educação durante o período escolar, como no caso de quem precisa tomar insulina ou outros remédios na escola, tem alergias graves com risco de vida, ou usa sonda de alimentação (gastrostomia) e tem crises convulsivas, como a minha filha Elizabeth.
- Se você decidir mandar seu filho de volta para a escola, é essencial verificar se as necessidades dele poderão ser atendidas. Ele precisa de acompanhamento individual, como um enfermeiro ou mediador escolar? Se esta for uma solicitação nova para o plano pedagógico, será necessário agendar uma reunião de equipe para debater o pedido. Os novos protocolos de distanciamento social nas escolas vão impactar o momento do retorno do seu filho. Mesmo que ele sempre tenha tido esse apoio individual, novos procedimentos precisarão estar definidos antes do retorno.
- Outro ponto a considerar antes do retorno às aulas são as questões de mobilidade. Os elevadores estarão disponíveis? As salas de aula têm espaço adequado para a circulação dele? Há remédios ou alimentos especiais que precisam de refrigeração, e ele terá permissão para usar a geladeira agora? Quais são os novos procedimentos de emergência para o seu filho em caso de incêndio ou outra crise? Todas essas são perguntas que precisam ser respondidas antes de mandar seu filho de volta para a sala de aula.
- Por fim, considere agendar uma reunião com a equipe escolar para discutir essas questões de forma mais estruturada. Mesmo que todos estejam muito ocupados e sobrecarregados — não se sinta intimidada! Seja a defensora do seu filho!
O ponto principal é...
Se você não estiver segura com as condições oferecidas para o seu filho na escola, você tem opções. A lei garante ao seu filho o direito a uma educação pública gratuita e apropriada. Isso inclui o ensino domiciliar e o ensino à distância. Mas também abrange proteções e adaptações previstas pela legislação de acessibilidade (Americans with Disabilities Act) e diversas outras normas locais e estaduais.
Monte a sua equipe
Lembre-se de valorizar o impacto a longo prazo de construir um bom relacionamento com médicos, terapeutas, escolas, assistentes sociais e outros profissionais. Cultive esses vínculos.
Claro que você e seu filho têm direitos garantidos por lei, mas lembre-se: são pessoas que viabilizam esses direitos. É sempre melhor quando os planos surgem de uma decisão em conjunto, em vez de uma resposta relutante a uma imposição. Dê um voto de confiança à equipe e acredite que todos estão se esforçando e fazendo o melhor possível. Aquele ditado que diz que “se pega mais moscas com mel do que com vinagre” exige paciência e uma abordagem cuidadosa de quem assume o papel de defender a criança.
Alguns enxergam essa postura como “desistir” e acreditam que, se não estiverem “lutando” com unhas e dentes, sairão derrotados. Na verdade, quem atua como uma parte ativa e valiosa na equipe de educação especial da criança é quem lidera de verdade e tem muito mais chances de alcançar os melhores resultados. Manter a paciência, a empatia e o diálogo com as pessoas e os profissionais da educação (que muitas vezes são a fonte de frustrações e notícias difíceis) é um grande desafio, mas é absolutamente fundamental!
Por Annette Hines