Manhês: muito mais do que apenas "conversa de bebê"
Neste artigo: O que é o "manhês"? Estudos e pesquisas sobre o manhês | É possível aprender a falar o manhês com orientação? | A experiência de uma fonoaudióloga como mãe
Neste artigo
- Afinal, o que é o "manhês"?
- Estudos e pesquisas sobre o manhês
- É possível aprender a falar o manhês com orientação?
- A experiência de uma fonoaudióloga como mãe
Como fonoaudióloga, sempre me deu um certo arrepio ouvir pais conversando com seus bebês desse jeito. Deixando o incômodo de lado, isso simplesmente não faz bem para o desenvolvimento inicial da linguagem.
Pesquisas e estudos demonstram que falar com o seu filho em determinado tom e entonação é saudável, mas alterar os padrões de articulação (como trocar o som do /r/ pelo som do /l/ ou falar tudo errado de propósito) não é saudável e ensina a criança a falar do jeito incorreto.
Na época da minha pós-graduação, chamávamos essa forma "correta" de falar com as crianças de manhês. Com o passar do tempo, como hoje temos pais, mães e outros responsáveis conversando com as crianças dessa maneira, o termo também passou a ser conhecido de forma mais ampla como a linguagem dos pais.
Afinal, o que é o "manhês"?
O manhês é quando você conversa com o seu bebê em um ritmo mais lento e com um tom de voz mais agudo, mas usando palavras reais e a gramática correta. Muitas mães, pais, avós, irmãos mais velhos, tios, tias e babás usam o manhês intuitivamente, sabendo que isso ajuda o bebê a se conectar socialmente e a responder, mesmo que seja apenas por meio de balbucios (1).
O manhês tem três características principais:
Estimular a área da linguagem social no cérebro é fundamental quando as crianças estão aprendendo a falar. Essa região cerebral fica ativamente engajada quando você faz pausas e dá ao bebê o tempo adequado para responder. Os bebês nascem programados para participar de conversas e parecem preferir quando os pais falam em manhês.
Estudos e pesquisas sobre o manhês
Fonte do vídeo: CNN
No vídeo acima, observe o pequeno Paul no colo da mãe em uma sala reservada. De um lado, uma mulher fala com ele por oito segundos usando o manhês.
Do outro lado, ele ouve uma mulher falando por oito segundos em um tom de fala normal. Ao escutar as duas mulheres, fica evidente que ele prefere a que está usando o manhês.
Ele demonstra isso virando a cabeça repetidamente na direção da mulher que está falando com ele em manhês. Você consegue até ouvi-lo soltar gritinhos e balbucios depois que a mulher termina de falar com ele.
O laboratório de Patricia Kuhl realizou estudos que mostram que, quando os bebês escutam a fala, "não é apenas a área do córtex auditivo no cérebro que se ativa, mas também as áreas motoras que futuramente produzirão a fala", disse ela, mostrando que o bebê já está se preparando para responder falando.
Patricia Kuhl, codiretora do Institute for Learning & Brain Sciences da University of Washington
É possível aprender a falar o manhês com orientação?
Sim! Você pode aprender a falar com o seu filho dessa forma com um pouquinho de orientação. Um estudo publicado mostrou que, quando os pais recebiam essa orientação, seus filhos balbuciavam mais e tinham mais vocabulário aos 14 meses de idade do que as crianças cujos pais não utilizavam o manhês.
Além disso, segundo Kuhl, os bebês cujos pais foram orientados apresentaram um vocabulário médio de 100 palavras, em comparação com 60 palavras no grupo de controle. É quase o dobro no ritmo de aquisição de novas palavras!
O estudo também revelou que os bebês precisam interagir socialmente para aprender a falar. Por alguma razão, o manhês faz com que o bebê queira justamente isso.
A pesquisa continua em andamento e as crianças que participaram inicialmente têm agora três anos. Os pequenos do grupo cujos pais foram orientados continuam muito à frente daquelas cujos pais não receberam orientação para usar o manhês.
https://www.youtube.com/watch?v=7wqR28gPiwo&feature=emb_logo
Orientação aos pais estimula as habilidades iniciais de linguagem
A experiência de uma fonoaudióloga como mãe
Como fonoaudióloga, fico sempre muito atenta ao desenvolvimento dos meus filhos, especialmente na área da fala e da linguagem.
Minha filha (3 anos) e meu filho (7 meses) têm um desenvolvimento típico. Eu usei e continuo usando o manhês com os dois.
Meu marido e minha família não conheciam o termo manhês antes de nossos filhos nascerem. Depois que mostrei a eles e expliquei para não conversarem com a Nora e o Nicholas com aquela "fala infantilizada e errada", todos passaram a adotar o mesmo padrão de fala que eu.
Quando alguém não fala com o meu filho usando o manhês, a diferença na reação dele é visível.
Quando usamos o manhês, ele vira a cabeça, sorri, dá risada e até estende os bracinhos para a pessoa. Ele também participa da alternância de turnos sociais: solta gritinhos de alegria ou vocaliza se você falar com ele usando o manhês.
Se ele estiver chorando e falarmos em um tom normal, ele continua chorando. Mas se o consolamos em manhês, ele se acalma muito mais rápido e começa a sorrir. A minha filha tinha exatamente a mesma reação quando era bebê.
Se você quer aprender a se comunicar dessa forma com o seu filho, recomendo que procure um fonoaudiólogo para te orientar a fazer isso na prática.
Os benefícios para o seu filho são enormes, e essa é uma forma simples e rápida de estimular o desenvolvimento da fala em casa.
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Por Stacie Bennett