Como Desenvolver as Habilidades do Brincar em Crianças com Autismo

Neste Artigo Brincadeiras Dirigidas por Profissionais Brincadeiras Dirigidas pelos Pais Hipersensibilidade Como Brincar Terapia Baseada em Relacionamento Análise do Comportamento Aplicada (ABA) Ludoterapia Floortime

Ludoterapia para Crianças com Autismo

Neste Artigo

  • Brincadeiras Dirigidas por Profissionais
  • Brincadeiras Dirigidas pelos Pais
    • Hipersensibilidade
    • Como Brincar
  • Terapia Baseada em Relacionamento
    • Análise do Comportamento Aplicada (ABA)
    • Ludoterapia Floortime

Quando o seu filho recebe um diagnóstico, é essencial aprender a brincar com uma criança autista. Pergunte a um ludoterapeuta sobre como fazer a hora da brincadeira valer a pena, incluindo sugestões e abordagens de ludoterapia para o autismo.

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são, antes de tudo, crianças.

Elas precisam passar pelas mesmas fases de desenvolvimento que qualquer outra pessoa. Pode levar um pouco mais de tempo para algumas habilidades. Pode ser que elas sejam mais avançadas em outras. O que é verdade, no entanto, é que o brincar pode ter e tem efeitos profundos no seu desenvolvimento social, mental e emocional.

Brincar é sempre terapêutico; e para crianças com TEA, a brincadeira tem um valor terapêutico ainda maior.

Brincadeiras Dirigidas por Profissionais

Muitos pais buscam a ajuda de profissionais qualificados para introduzir a ludoterapia aos seus filhos com TEA. O treinamento desses terapeutas permite que eles apresentem o brincar às crianças e aos seus pais, ajudando a alcançar resultados ainda melhores.

  • Os Grupos de Brincadeiras Integradas (IPG) reúnem crianças com TEA e crianças neurotípicas. Geralmente, não há mais de cinco crianças da mesma faixa etária em cada grupo e, comumente, duas têm TEA. As crianças com TEA aprendem na prática como outras crianças brincam. Os grupos se reúnem várias vezes por semana e mantêm a frequência enquanto houver progresso.
  • O método Atenção Compartilhada, Brincar Simbólico, Engajamento e Regulação (JASPER) busca aprimorar as habilidades de atenção social de crianças com TEA. O objetivo é ampliar o foco da criança: em vez de apenas girar as rodas de um carrinho de brinquedo, ela passa a brincar com o objeto como um carro de verdade. Isso permite que ela brinque de forma mais natural com outras crianças.

Brincadeiras Dirigidas pelos Pais

Se os pais tiverem a sorte de morar perto de terapeutas ou clínicas de tratamento de TEA, é recomendável conversar com os especialistas para acompanhar as sessões e aprender a usar essas técnicas em casa. Quando os irmãos e os pais conseguem reforçar as técnicas da ludoterapia no dia a dia, isso é um enorme ganho para a criança com TEA.

Aqui estão algumas ideias que funcionam muito bem em casa e vão ajudar a reforçar o desenvolvimento neurológico.

Hipersensibilidade

Crianças com TEA costumam ser mais sensíveis do que o normal ao toque, a estímulos dolorosos ou têm dificuldade em perceber onde o próprio corpo está no espaço (propriocepção). Ao introduzir o estímulo de forma gradual e repetida, a criança pode se tornar mais tolerante à exposição.

Por exemplo, se a criança não gosta da sensação de água na pele, experimente molhar o seu próprio dedo em uma tigela pequena com água e usá-lo como tinta para desenhar na sua própria mão. Faça isso várias vezes ao dia sem convidar a criança para participar logo de início. Assim que ela demonstrar interesse no que você está fazendo, pergunte se ela quer tentar. Esse é um processo de longo prazo, portanto, é normal que leve semanas ou meses até você notar alguma melhora.

Como Brincar

Crianças com TEA costumam brincar com objetos de uma forma diferente das crianças neurotípicas. Muitas vezes, elas se interessam mais por partes específicas de um brinquedo do que por brincar com ele como um todo.

Autism and Floortime Play Therapy (1)

Se a sua filha tiver muito interesse em um determinado brinquedo, como um carrinho ou caminhão, observe a forma como ela brinca com ele. Se ela só quiser ficar olhando as rodas girarem, esta é uma ótima oportunidade para mostrar a ela outra forma de brincar.  

Pegue um carrinho semelhante que será o “seu”. Sente-se no chão, no mesmo nível da criança e perto dela. Brinque com o carro da forma convencional. Faça alguns efeitos sonoros como “vrum-vrum” para tentar chamar a atenção dela.

A sua presença ali serve apenas para demonstrar como o veículo pode ser movimentado para tornar a brincadeira mais divertida.

Terapia Baseada em Relacionamento

Especialistas vêm estudando a sensibilidade tátil no TEA. Hoje, acredita-se que essa hipersensibilidade seja a grande responsável pelas dificuldades no comportamento social. Muitas famílias ficam abaladas quando a criança com TEA quase não reconhece sua presença e parece não entender que ela e as outras pessoas compartilham as mesmas características humanas.

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

Essa abordagem se baseia no que sabemos sobre os comportamentos nos relacionamentos sociais. A ABA é utilizada há décadas para avaliar cada criança com TEA e definir planos de intervenção que atendam da melhor forma às suas necessidades individuais.

O método ABA tem como objetivos:

  1. Ampliar as habilidades de linguagem e de comunicação
  2. Melhorar a atenção, o foco, as habilidades sociais, a memória e o aprendizado pedagógico 
  3. Reduzir comportamentos desafiadores

Ludoterapia Floortime

Uma das abordagens mais utilizadas e inovadoras para desenvolver habilidades sociais chama-se Floortime. O nome faz referência ao local onde a intervenção acontece: no chão, no mesmo nível da criança. O pai ou a mãe participa da brincadeira na altura dela, sem dar ordens nem ditar as regras de como brincar. Os profissionais orientam e treinam os pais nesse método.

O Floortime é composto por seis marcos de desenvolvimento:

  1. Autorregulação e interesse pelo mundo
  2. Intimidade ou engajamento nos relacionamentos
  3. Comunicação bidirecional (de mão dupla)
  4. Comunicação complexa
  5. Ideias emocionais
  6. Pensamento emocional

Cada criança, pai, mãe e família são únicos e têm necessidades especiais próprias. Utilizar a terapia em qualquer uma das abordagens acima é essencial para que a criança com TEA avance física, intelectual e socialmente. Os pais certamente descobrirão que consultar um especialista no tratamento de TEA trará excelentes resultados.

Acima de tudo, tenha paciência, seja afetuoso e brinque!

Voltar para todos os posts