Como lidar com a seletividade alimentar e a aversão alimentar
A seguir, apresentamos um panorama básico de como lidar com a aversão e a seletividade alimentar. Se o seu filho tem dificuldades para comer, recomendo fortemente buscar terapia com um fonoaudiólogo. Além disso,...
A seguir, apresentamos um panorama básico de como lidar com a aversão e a seletividade alimentar. Se o seu filho tem dificuldades para comer, recomendo fortemente buscar terapia com um fonoaudiólogo. Além disso, nem todos os fonoaudiólogos trabalham com terapia alimentar, então você precisará pesquisar e perguntar aos profissionais com quem entrar em contato!
Quais são os sinais da seletividade e da aversão alimentar?
Entre 20% e 50% das crianças são descritas pelos pais como seletivas para comer. Em um dia, seu filho pode adorar comer bananas e, no dia seguinte, ter ânsia e cuspi-las. Você não está sozinho. Tente entender quando esses comportamentos são apenas a criança demonstrando preferências e quando estão caminhando para uma aversão alimentar.
Então, quais são os principais sinais de uma aversão alimentar? A gravidade dos sinais pode variar e eles podem não se manifestar em todas as crianças.
- Ter ânsia de vômito assim que o alimento é colocado na boca;
- Fechar a boca com força, não permitindo a entrada do garfo ou da colher;
- Cuspir a comida sem mastigar nem passar pelas gengivas;
- Fazer uma “birra” na hora da refeição;
- Demorar muito tempo para comer ou recusar-se totalmente a comer.

Alguns de vocês devem estar lendo isso e pensando: “é, meus filhos fazem isso todas as noites, e agora?” A primeira coisa que sugiro é abordar os alimentos da mesma forma que um terapeuta faria na clínica. Existem certos passos que devem ser seguidos para diminuir a sensibilidade alimentar. Ao tentar introduzir um novo alimento na rotina do seu filho, siga os passos abaixo NA ORDEM.
Apresentando novos alimentos
- Deixe que ele toque na comida. Seu filho não precisa colocar o alimento na boca neste momento. Ele precisa estar disposto a tocar na comida antes de permitir que ela chegue perto da sua boca.
- Quando ele estiver tranquilo em tocar na comida, deixe-o cheirá-la. Peça para ele segurar o alimento e descrever o cheiro. Você pode fazer uma lista com o que ele descreve e também com o que ele ACHA que será o gosto.
- Depois de cheirar a comida, peça para a criança lambê-la. Ela não precisa colocar nada na boca nem mastigar neste momento. É comum vermos crianças terem dificuldades nessa etapa, e tudo bem. É importante voltar ao passo anterior por mais alguns dias e depois tentar novamente.
- Quando ela estiver confortável em lamber a comida, é hora de colocá-la na boca. Novamente, não há necessidade de mastigar ou engolir o que quer que você ofereça. Se ela quiser, vá em frente! Se não, ela pode simplesmente cuspir, com o objetivo de tentar mastigar na próxima oportunidade.
- O último passo é mastigar e engolir. Não se assuste se houver um pouco de ânsia no início. Isso também é totalmente normal. Dê um passo atrás e tente novamente mais tarde.
E se o meu filho não quiser comer de jeito nenhum?
As crianças comem quando estão com fome. Não adianta estressar você ou seus filhos tentando forçar comida goela abaixo. Desde que estejam ganhando peso e crescendo, eles estão recebendo nutrição suficiente. Pode ser necessário suplementar vitaminas, mas essa é uma questão para o seu pediatra.
1. Compartilhe a responsabilidade
Como mãe ou pai, você tem responsabilidades na alimentação do seu filho. Seu filho também tem responsabilidades.
- Você controla o que, onde e quando a comida é oferecida.
- Seu filho decide se vai comer ou não e o quanto vai comer.
2. Ofereça uma variedade de alimentos adequados para a idade
Seu filho deve escolher entre uma variedade de alimentos na hora da refeição, como vegetais, frutas, proteínas e carboidratos. O cardápio da família não deve se limitar às comidas favoritas da criança. Pode ser necessário oferecer um alimento até 15 vezes antes que ela aceite experimentá-lo.
3. Limite bebidas calóricas
Seu filho pode não comer o que você prepara se estiver ingerindo muitas calorias com sucos, refrigerantes ou leite. Se a criança beber demais, o apetite para a comida certamente diminuirá.
Limite a cerca de 120 ml de suco e 700 ml de leite por dia. Refrigerantes não são recomendados para crianças. Para obter mais orientações, consulte o pediatra do seu filho.
4. Estabeleça uma rotina para as refeições
Tanto os lanches quanto as refeições principais são fundamentais para o desenvolvimento nutricional das crianças. Manter horários definidos para café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia ajuda os pequenos a entenderem que haverá comida a cada duas ou três horas e que não passarão fome. Evite dar petiscos fora desses horários definidos.

Se o seu filho optar por pular uma refeição ou lanche, ele pode esperar até o próximo horário programado, dali a algumas horas. Se ele se recusar a comer, peça que continue sentado à mesa até que a maior parte da família termine a refeição, dentro do bom senso. Nós fazemos isso com a nossa filha de três anos!
5. Torne as refeições agradáveis
O ambiente da refeição sempre deve ser levado em conta ao alimentar uma criança. A conversa deve ser leve e tranquila, o espaço deve estar limpo e bem iluminado, e as distrações precisam ser reduzidas. A hora de comer não é momento para brigas ou para assistir televisão. Não permitimos que nossos filhos vejam TV comendo, a não ser em ocasiões muito especiais!
6. Respeite as manias alimentares
Todo mundo tem suas próprias manias na hora de comer. Uma criança pode aceitar um sanduíche cortado em triângulos e sem casca, mas recusar o mesmo sanduíche se estiver cortado em quadrados com casca. Outra pode comer pedacinhos de brócolis, mas evitar os talos.
Alimentos que o seu filho come hoje podem ser rejeitados amanhã. É importante entender que a criança pode reagir de maneiras diferentes à mesma comida em dias distintos. Não prepare um prato substituto de imediato.
7. Evite cozinhar sob encomenda
Como mãe, eu sei bem o quanto isso pode ser difícil. MAS, se o seu filho não gostar ou não quiser comer o que você preparou para a refeição ou lanche, tudo bem. Evite a tentação de voltar para o fogão para preparar algo que você já sabe que ele vai comer.
Se o seu filho recusar a refeição ou o lanche, haverá outra oportunidade dali a poucas horas e ele conseguirá esperar até lá. Quando as crianças sentem fome por terem escolhido não comer, a probabilidade de aceitarem o que for servido na próxima vez é muito maior.
8. Não ofereça sobremesa sempre
A sobremesa não precisa estar presente em todas as refeições e nem mesmo todos os dias. Quando houver sobremesa, leve em conta estas dicas:
- Se a criança for forçada a comer todo o prato antes da sobremesa, ela pode já estar cheia, mas provavelmente comerá o doce mesmo assim.
- Se o seu filho se recusar a comer a comida, puni-lo tirando a sobremesa não é o caminho ideal. A criança aprenderá a valorizar o doce acima dos alimentos saudáveis, o que pode comprometer seus hábitos alimentares para o resto da vida.
- Se o seu filho come correndo só para chegar à sobremesa, tente servir o doce junto com a refeição.
Experimente colocar essas dicas em prática para ver se ajudam seu filho a ter uma relação mais saudável com a comida e a criar hábitos melhores. Isso vai facilitar o planejamento do cardápio, diminuir as disputas de poder à mesa e, com sorte, garantir refeições saudáveis e crianças crescendo com saúde.
Por Stacie Bennett