Devo esperar meu filho de 2 anos começar a falar?
Então, o médico disse que seu filho de 2 anos vai acabar falando, mas você está preocupado(a). Uma conversa inclui intenção, produção e compreensão.
Então, o médico disse que seu filho de 2 anos vai acabar falando, mas você está preocupado(a). Uma troca verbal inclui intenção, produção e compreensão.
Neste artigo
- Fatores que influenciam o atraso na fala
- Criando uma criança em um lar multilíngue
- Tempo excessivo de tela
- Interação social insuficiente
- O que devo fazer enquanto espero as primeiras palavras do meu filho?
- Interaja! Converse!
- Características da fala dirigida à criança
Se você conversou bastante com seu filho antes do nascimento, ele compreenderá a linguagem muito antes de começar a falar. Produzir uma fala compreensível exige controle respiratório a partir dos pulmões, passagem do ar pela faringe para gerar som e, em seguida, o trabalho das cavidades oral e nasal para articulá-lo. Isso dá um trabalhão físico danado para uma criança de 2 anos que nunca articulou uma palavra antes.
Os atrasos de linguagem geralmente se devem ao aparelho fonador da criança, que ainda está em desenvolvimento, e/ou a um processamento mais demorado dos sons e das palavras.
Se você precisa de ajuda profissional e de uma avaliação, a decisão de esperar ou não é sua, mesmo que o médico recomende esperar, porque é apenas uma questão de tempo até que seu filho comece a falar. O desenvolvimento da fala na primeira infância é diferente para cada criança, então não se preocupe.
Fatores que influenciam o atraso na fala
Antes de falar sobre como estimular a fala do seu filho em casa, vamos ver alguns fatores que podem causar um tempo de resposta maior e atrasos gerais na fala.
Criando uma criança em um lar multilíngue
Falar mais de uma língua em casa significa um processamento linguístico maior e mais demorado. Uma criança bilíngue precisa de mais tempo de processamento do que uma criança monolíngue, e as primeiras palavras ou frases geralmente surgem um pouco mais tarde. Mas não desanimem, famílias multilíngues! Na verdade, falar mais de um idioma traz muitos benefícios cognitivos, como maior agilidade para alternar tarefas, facilidade com multitarefas, criatividade e muito mais!
Curiosamente, as crianças bilíngues não confundem os idiomas que falam; na verdade, elas os compreendem como sistemas distintos e independentes.
Tempo excessivo de tela

Diversos estudos mostram que a TV ajuda muito pouco no aprendizado da linguagem em crianças com menos de 2 anos. Quando comparada com a interação ao vivo, aprender a falar pela televisão é, de longe, a opção menos eficiente.
Jim, um menino ouvinte filho de pais surdos, passava muito tempo assistindo à TV, pois esse era o seu principal contato com o inglês. Por volta dos 4 anos de idade, ele não apenas apresentava atraso de linguagem, como também sabia muito pouco sobre como juntar as palavras para formar frases gramaticais. As frases dele soavam assim: Isto é como avião; Eu quero aquilo fazer; Casa chaminé minha casa chaminé (Saxton, 2018; Sachs, Bard, & Johnson 1981).
A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda zero telas para crianças com menos de 2 anos; e não mais do que 2 horas por dia para crianças acima de 2 anos. Para essa faixa etária mais velha, programas de TV com ritmo mais lento, como Vila Sésamo e Pistas de Blue, são recomendados, pois focam em estimular habilidades de resolução de problemas, compreensão de histórias e reconhecimento de padrões.
O aplicativo Speech Blubs também entra nessa categoria, já que é um app de fonoaudiologia controlado por voz que traz várias atividades divertidas e aprovadas por especialistas, pensadas para aprimorar o desenvolvimento geral da linguagem do seu filho.
O que devo fazer enquanto espero as primeiras palavras do meu filho?
Interaja! Converse!
A natureza já fez a parte dela: o cérebro humano tem uma predisposição inata para adquirir a linguagem. Para aproveitar ao máximo essa capacidade, falar e interagir são fundamentais.
A linguagem que as crianças ouvem dos pais e de outras pessoas é o combustível que faz a máquina funcionar e produzir, como resultado final, um domínio maduro da língua.
Matthew Saxton (2018)
Como vimos no caso do Jim, apenas ouvir não é suficiente para ter fluência na linguagem. Você já cantou uma música e de repente percebeu que não faz ideia do que a letra significa? Pois é! O que se ouve precisa ser combinado com a interação. É por meio da interação que praticamos expressar nossas intenções com palavras.
As pesquisas mostram que, quanto mais os pais interagem e conversam com seus filhos, mais as crianças se beneficiam na aquisição de gramática complexa e no processamento da fala. Esse benefício vem do vocabulário rico, das frases e das ideias que os pais usam em casa e nas conversas com a criança. Sendo assim, conversar com seu filho é essencial, mesmo na correria do dia a dia de mães e pais que trabalham fora.
O que você pode fazer agora
Aqui estão algumas coisas que você pode fazer com o seu filho para estimular o desenvolvimento da linguagem.
- Crie o hábito de cumprimentar seu filho com frequência. “Bom dia, boa noite, olá, tchau.” Peça para ele buscar algo para você enquanto aponta para o objeto. Um elogio quando a criança acertar sempre ajuda muito.
- Tente puxar assunto fazendo perguntas empolgantes. “Você quer ir ao parquinho? Quer suco?” Ao envolver emoções, com o tempo, você pode conseguir respostas de uma palavra só, como “Parquinho!” ou “Suco!”
- Fale sobre o aqui e agora. As crianças aprendem melhor quando o objeto sobre o qual se fala está no campo de visão delas. “Olha! Um trem.”
- Mesmo que a gente limite o tempo de tela, as crianças adoram quando os adultos demonstram interesse pelos seus programas de ritmo lento favoritos. É uma excelente oportunidade de conexão e interação. Você pode aprender a música de abertura do desenho, demonstrar interesse na historinha, nomear os objetos na tela enquanto aponta e até fingir surpresa com algo legal que aconteceu. Seu filho vai achar isso incrível e começará a imitar você para chamar sua atenção para coisas que ele acha interessantes. O mesmo vale para a leitura e para a hora de brincar com brinquedos.
- Incentive a brincadeira com outras crianças. Em média, as crianças começam a fazer amizades por volta dos 2 anos. Outras crianças da mesma idade terão interesses parecidos. A brincadeira será comunicativa e envolverá observação, imitação e cooperação.
- Por fim, converse com seu filho como você conversaria com qualquer outra pessoa. Fale sobre tudo e qualquer coisa que tenha relação direta com a rotina dele. “Quem está pronto para tomar banho?”, “Você está com fome?”, “Vamos comer pizza!”, “Pega o seu sapato para mim?”, “Você me ajuda a lavar o carro hoje?”, “Quer ir comigo ao mercado?”, “Você consegue colocar a meia sozinho?”, “Nossa, você conseguiu!”, “Muito bem!” e “Toca aqui!”
Características da fala dirigida à criança (FDC)

Nós conversamos de maneiras diferentes com pessoas diferentes. Pense em como você falaria com um futuro chefe em uma entrevista de emprego. Agora compare isso com uma conversa com um amigo próximo, com seu parceiro ou com um irmão. É bem provável que fale de forma diferente com cada um. Fazemos a mesma coisa quando conversamos com bebês e crianças pequenas. Chamamos esse modo de falar de fala dirigida à criança (FDC).
A fala dirigida à criança é dinâmica. Em vez de ser fixa, os pais ajustam e modificam esse tom inconscientemente conforme a criança cresce e a linguagem dela evolui. As mudanças na FDC são sutis e difíceis de notar; no entanto, com essas mudanças acontecendo no dia a dia, os pais passam a usar a fala dirigida a adultos (FDA) com o filho assim que ele atinge certo nível de maturidade e idade.
Na fala dirigida à criança, falamos devagar, aumentamos o tom da voz, exageramos e enfatizamos nossas emoções. Embora a FDC não seja obrigatória para aprender a falar, ela facilita o processamento da fala e a compreensão do papel que entonação, tom, duração e volume têm para demonstrar emoções, além de ajudar a diferenciar perguntas de ordens e frases afirmativas.
Não se preocupe: seu pequeno vai estar falando antes do que você imagina. Procure um(a) fonoaudiólogo(a) e faça uma avaliação se tiver qualquer dúvida. E não deixe de praticar com o Speech Blubs para treinar os primeiros sons e palavras!
Referências:
- Saxton, M. (2018). Child Language: Acquisition and Development. SAGE Publications Ltd.
- Strunk, S. J. D., Bard, B., & Johnson, M. L. (1981). Language Learning with Restricted Input: Case Studies of Two Hearing Children of Deaf Parents. Cambridge University Press.
Por Ange-Dania Laguerre