Devo subornar meus filhos?: Entenda como recompensar as crianças
Neste artigo O experimento Recompense as crianças por fazerem coisas que não querem fazer naturalmente As recompensas devem ser baseadas no esforço, não no resultado As recompensas importam A criança precisa ter escolha
Neste artigo
- O experimento
- Recompense as crianças por fazerem coisas que não querem fazer naturalmente
- As recompensas devem ser baseadas no esforço, não no resultado
- As recompensas importam
- A criança precisa ter escolha
Como alguém que pensa muito sobre isso, pais – especialmente pais de crianças pequenas com necessidades específicas – costumam me perguntar: “os pais devem subornar seus filhos?” A resposta é: pode ser que sim. Recompensar as crianças é, na verdade, uma ferramenta extremamente importante para desenvolver novas habilidades – quando aplicada corretamente. E as crianças adoram! Então, por que as recompensas ficaram com uma fama tão ruim?
“A mamãe tem uma ligação importante de 1 hora, tudo bem? Então você pode brincar no seu iPad se conseguir ficar fora do quarto, combinado?”
O experimento
Tudo começou em 1917, com um experimento realizado com alunos da Stanford University pelo Professor Edward Deci. Ele pediu a 24 alunos que resolvessem um quebra-cabeça em 13 minutos.
No primeiro dia, se não terminassem, ele resolvia para eles – dando a eles o motivador intrínseco de não quererem que outra pessoa fizesse por eles. No segundo dia, ele pagou a metade deles US$ 1 por cada quebra-cabeça resolvido. Esse dia mostrou que os alunos pagos se esforçaram mais e resolveram mais quebra-cabeças. No terceiro dia, ele não pagou mais ninguém. Desta vez, ele descobriu que aqueles que haviam sido pagos no segundo dia não se esforçaram tanto no terceiro dia.
Com isso, ele concluiu que a motivação extrínseca (o dinheiro) serviu para desestimular a motivação intrínseca.
Mais tarde, os pesquisadores não encontraram, na verdade, uma diferença estatisticamente significativa no esforço entre o 2º e o 3º dia. Além disso, os pesquisadores descobriram que os alunos já gostavam de fazer a atividade – eles já tinham a motivação intrínseca –, então as recompensas eram desnecessárias. Afinal, por que você recompensaria as crianças se elas já gostam de fazer aquela tarefa?
Recompense as crianças por fazerem coisas que não querem fazer naturalmente
Portanto, aqui está a Regra nº 1 para acertar nas recompensas: recompense as crianças por fazerem coisas que elas não querem fazer naturalmente – como abandonar maus hábitos ou criar novos.
Existem inúmeros estudos sobre a eficácia das recompensas para abandonar maus hábitos – desde grávidas parando de fumar até o desenvolvimento de novos hábitos, como a prática de exercícios físicos. Quando uma criança ainda não tem motivação intrínseca para um comportamento, as recompensas são importantes.

As recompensas devem ser baseadas no esforço, não no resultado
A Regra nº 2 é que as recompensas oferecidas devem ser baseadas no esforço, e não no resultado final. Por exemplo, um aluno que costuma tirar notas baixas na escola provavelmente não se sentirá motivado por uma recompensa por tirar uma nota 10 – isso pode não ser realista. Mas, se a recompensa estiver ligada a se dedicar às tarefas escolares por 30 minutos a mais, esse aluno poderá desenvolver habilidades de estudo para melhorar as notas. Depois que a criança desenvolver essa habilidade, pare de recompensá-la e passe para outra habilidade que precise de um empurrãozinho extra.
As recompensas importam
A Regra nº 3 é que a recompensa importa. Imagine se o seu chefe dissesse que você precisa trabalhar 30 horas a mais esta semana, mas que vai dar uma caneta personalizada para todo mundo na sexta-feira. As recompensas precisam ter valor para que possam gerar valor. Se for um pagamento extra ou um período equivalente de folga mais tarde, isso sim representa uma recompensa útil – uma caneta provavelmente não vai motivar ninguém.

A criança precisa ter escolha
Por fim, a Regra nº 4 – e provavelmente a mais importante de todas. A autonomia precisa fazer parte do processo. A criança precisa ter escolha. Ela deve poder escolher em que trabalhar e como, ou até mesmo escolher a sua recompensa.
Portanto, se o seu filho tira notas baixas e você quer motivá-lo a se dedicar mais na escola, deixe que ele decida por quanto tempo e quantos dias vai se esforçar mais, e o que vai ganhar se atingir os objetivos dele. Sem autonomia, transformamos o desenvolvimento de habilidades baseado em recompensas em uma simples troca – mais parecida com um suborno –, e isso provavelmente não ajuda nossos filhos de verdade.
Lembre-se: ideias de recompensas para crianças estão por toda parte. Nós compramos presentes para nós mesmos, nos damos uma noite de descanso ou outros mimos por nos esforçarmos em tarefas que preferíamos não fazer. Usamos a motivação extrínseca para desenvolver uma habilidade ou hábito – e, à medida que essa habilidade é praticada, desenvolvemos a motivação intrínseca para melhorar ou praticar com mais dedicação, sem precisar do estímulo externo.
Portanto, famílias, fiquem à vontade para usar um sistema de recompensas. Basta focar no bom comportamento, no desenvolvimento de habilidades com autonomia e mudar a forma como expressamos nossos incentivos.
“Durante a próxima hora, enquanto a mamãe estiver em uma ligação, você pode jogar um jogo de matemática ou ler um livro. Se você fizer isso, vou deixar você escolher o que vamos preparar para o jantar.”
Por Nidhi Patel