O que é apraxia de fala e como ela é diagnosticada?

Neste artigo: Apraxia e o aplicativo Speech Blubs; A apraxia de fala em números; Sinais e sintomas da apraxia de fala; Avaliações e diagnóstico da apraxia de fala; Relato da fonoaudióloga: Meu primo que ninguém conseguia entender...

Apraxia de Fala na Infância

Neste artigo

  • Apraxia e o aplicativo Speech Blubs
  • A apraxia de fala em números
  • Sinais e sintomas da apraxia de fala
  • Avaliações e diagnóstico da apraxia de fala
  • Relato da fonoaudióloga: Meu primo que ninguém conseguia entender

A AFI pode ocorrer como resultado de um comprometimento neurológico conhecido, em associação com transtornos neurocomportamentais complexos de origem conhecida ou desconhecida, ou como um transtorno dos sons da fala neurogênico idiopático. O comprometimento central no planejamento e/ou na programação dos parâmetros espaço-temporais das sequências de movimentos resulta em erros na produção dos sons da fala e na prosódia.

ASHA, 2007b, seção Definitions of CAS, parágrafo 1

Ufa! Mas o que isso realmente quer dizer? Basicamente, quando uma criança recebe o diagnóstico de AFI, ela sabe exatamente o que quer falar, mas seus articuladores da fala (boca, língua, fraqueza muscular) a impedem de produzir o som com clareza. Você pode pedir para a criança repetir várias vezes e, mesmo assim, não conseguir entender o que ela está tentando dizer.

Apraxia e o aplicativo Speech Blubs

O Speech Blubs é um aplicativo para terapia de linguagem com uma biblioteca completa de mais de 1.500 atividades, filtros de rosto, exercícios ativados por voz e vídeos educativos bônus.

O aplicativo foi inicialmente desenvolvido para crianças com autismo, síndrome de Down e apraxia de fala! Ele usa a modelagem em vídeo, um método comprovado para engajar crianças no espectro. Comece seu teste gratuito hoje mesmo e descubra atividades envolventes, como aprender números, cores, formas, animais e muito mais!

A apraxia de fala em números

  • Não é muito comum, ocorrendo em cerca de 1 a 2 crianças a cada 1.000;
  • Ocorre mais em meninos do que em meninas;
  • Crianças que nascem com AFI têm uma probabilidade maior de serem diagnosticadas posteriormente com transtornos de linguagem, leitura ou escrita (Lewis et al., 2004; Lewis & Ekelman, 2007);
  • A AFI, ou suas características, foi observada com mais frequência em crianças diagnosticadas com síndrome do X frágil, galactosemia e síndrome velocardiofacial (Kummer, Lee, Stutz, Maroney, & Brandt, 2007);
  • Embora crianças com o Transtorno do Espectro Autista frequentemente sejam diagnosticadas com dificuldades de fala e linguagem, isso NÃO significa que elas terão diagnóstico de AFI.

https://www.youtube.com/watch?v=-chvTL9C2lY

Assista a este vídeo para ter uma visão geral sobre a apraxia de fala.

Sinais e sintomas da apraxia de fala

Atualmente, não existem características únicas que diferenciem totalmente a AFI de outros transtornos dos sons da fala; no entanto, certas características são observadas de forma consistente em crianças diagnosticadas com AFI:

  • Erros inconsistentes em vogais e consoantes na repetição de sílabas ou palavras. Isso significa que a criança consegue falar a palavra “bola” corretamente três vezes seguidas, mas não consegue acertar na quarta vez.
  • Intervalos prolongados e pausas atípicas entre palavras e sons. A criança que apresenta essa característica pode fazer pausas em momentos estranhos ao falar frases ou pode dividir as palavras em “pedaços”, o que torna a comunicação difícil de acompanhar.
  • Prosódia inadequada, o que significa que a criança apresenta variações na voz, falando muito alto, muito baixo ou de forma anasalada. Muitas vezes, a criança nem percebe que isso está acontecendo.
  • Tentativas visíveis de posicionamento articulatório (groping) são um sinal muito comum que costumo observar nos meus pacientes. Isso é fácil de notar porque a criança/pessoa move a boca como se estivesse falando, mas nenhum som sai. Às vezes parece um esforço desconfortável e pode chamar bastante a atenção.
  • Fala mais lenta que o habitual, pois a criança está se concentrando muito em como deveria falar.

Também podem surgir questões não relacionadas diretamente à fala quando há suspeita de AFI. Esses sintomas podem incluir: sensibilidade oral (hipersensibilidade ou hipossensibilidade), atrasos nas habilidades motoras finas e amplas, dificuldades na alimentação e apraxia de membros (fraqueza ou dificuldade de coordenação nos braços ou pernas).

https://www.youtube.com/watch?v=WhtuEM9tE-k

Diferenciando a AFI de outros transtornos dos sons da fala: exemplos em vídeo de comprometimento fonológico e disartria

Avaliações e diagnóstico da apraxia de fala

Crianças com suspeita de AFI devem ser encaminhadas a um fonoaudiólogo para uma avaliação completa e diagnóstico. A consulta incluirá diversas avaliações padronizadas e não padronizadas, como entrevistas com os pais. Além desses testes, o fonoaudiólogo fará um exame das estruturas orofaciais. É nessa etapa que ele examinará o interior da boca do seu filho para checar as estruturas anatômicas. Ele também avaliará os movimentos motores que a criança consegue ou não realizar, como sorrir ou mandar um beijo. Isso é muito importante, pois crianças que não têm AFI costumam realizar essas tarefas com facilidade e sem dificuldades.

Após a avaliação, alguns desdobramentos podem ocorrer.

Eles podem incluir:

  • Diagnóstico de AFI ou de outro transtorno dos sons da fala (por exemplo, transtorno articulatório e/ou fonológico) – confira nossos outros artigos para entender melhor as diferenças entre transtornos articulatórios e transtornos fonológicos;
  • Descrição detalhada das características e da gravidade do transtorno;
  • Identificação dos fatores que podem estar contribuindo para o transtorno de fala;
  • Recomendações de intervenções voltadas para a funcionalidade geral da comunicação, incluindo recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Os recursos de CAA são formas para o seu filho se comunicar caso a dificuldade de fala seja muito severa. Eles podem incluir a língua de sinais, pranchas de comunicação com figuras ou aplicativos no tablet que vocalizam as mensagens pela criança;
  • Diagnóstico de um transtorno da linguagem falada (compreensão e expressão);
  • Identificação de dificuldades no letramento (leitura e escrita);
  • Acompanhamento do progresso no aprendizado da leitura e escrita de alunos com transtorno dos sons da fala diagnosticado, realizado por fonoaudiólogos e outros profissionais dentro do ambiente escolar;
  • Recomendações para um sistema de suporte multinível na escola da criança para apoiar o desenvolvimento da fala e da linguagem; e
  • Encaminhamento para outros profissionais, conforme necessário, como:
    • um terapeuta ocupacional para questões sensório-motoras, motoras finas ou não relacionadas à fala;
    • um fisioterapeuta se houver preocupações com as habilidades motoras amplas ou com o tônus muscular geral;
    • um neuropediatra caso sejam observados sinais neurológicos (como possíveis crises convulsivas, tremores ou desequilíbrio); e
    • um geneticista se o histórico médico ou familiar da criança sugerir a possibilidade de um distúrbio neurocomportamental de origem genética (como síndrome do X frágil, síndrome de Rett ou alterações dismórficas).

Leia mais: ASHA: “Childhood Apraxia of Speech” 2011

https://www.youtube.com/watch?v=KMkgSwHPDt0&disable_polymer=true

Definição e descrições da apraxia de fala na infância

Relato da fonoaudióloga: Meu primo que ninguém conseguia entender

Durante a infância, eu tinha um primo que não via com frequência, mas, quando nos encontrávamos, percebia que a fala dele era muito difícil de entender. Todos nós precisávamos pedir para ele repetir o que dizia e, não importava quantas vezes ele repetisse, continuávamos sem entender o que ele tentava comunicar. Mais tarde, Nicholas foi diagnosticado com Apraxia de Fala na Infância por um fonoaudiólogo.

Os anos se passaram, Nicholas entrou no ensino fundamental e sua fala não melhorava. Pensando nisso agora, a fala dele tinha apenas cerca de 25% de inteligibilidade quando ingressou no ensino médio. A essa altura, ele já não recebia fonoaudiologia, pois a escola alegou que ele não estava evoluindo o suficiente para justificar a continuidade do atendimento. Meus tios acharam que fazer fonoaudiologia particular fora da escola não era tão essencial para o Nick e, infelizmente, a fala dele nunca melhorou.

Alguns anos atrás, estive em um casamento e me sentei ao lado do Nicholas, que hoje estuda no MIT e é um jovem extremamente inteligente. Meu marido se virou para mim e disse: “Não entendi uma palavra do que ele falou. O que acontece com a fala dele?”

Estou contando essa história por dois motivos principais:

(1) Quero que você entenda como é importante defender o seu filho e lutar pelo acompanhamento necessário. Se a escola não oferecer o suporte adequado, busque terapias particulares. Se meus tios tivessem insistido e ido atrás, tenho certeza de que o Nicholas não falaria dessa forma hoje, aos 20 e poucos anos.

(2) A terapia ocupa apenas uma pequena parte do dia. É fundamental continuar praticando e estimulando esses conceitos em casa com dedicação. Isso vale para QUALQUER TRANSTORNO DE FALA!

O aplicativo Speech Blubs é uma das ferramentas que você pode usar em casa para treinar a fala. Fique à vontade para conferir os depoimentos de outros pais.

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