Existe Alguma Ligação Entre a Hiperémese Gravídica e o Autismo?

Escrevi vários artigos de blogue para a Speech Blubs sobre a PEA, causas, sintomas e tratamento. Podes pesquisar essa informação, mas não irei abordar nada disso neste artigo para...

Hiperémese gravídica e autismo

Escrevi vários artigos de blogue para a Speech Blubs sobre a PEA, causas, sintomas e tratamento. Podes pesquisar essa informação à vontade, mas não irei abordar nada disso neste artigo para não ser repetitiva.

A Hiperémese Gravídica e a Investigação

A hiperémese gravídica é uma forma grave de enjoos matinais durante a gravidez que, normalmente, requer medicação para ser controlada. 

Hiper-, significa "excessivo", émese significa "vómito" e gravídica vem de gravidez. Outros sintomas principais são as náuseas e a perda de peso. Pensa-se que resulta de níveis elevados de hormonas da gravidez, mas a causa exata ainda não é conhecida.

Se ainda não a segues, sugiro que vejas a experiência de gravidez da Amy Schumer. Ela teve o pior diagnóstico de hiperémese gravídica que alguma vez vi durante a gestação do seu filho, Gene. Embora por vezes muito explícita, ela foi aberta e honesta sobre as suas dificuldades com esta condição. 

Um projeto de investigação recente foi conduzido pela Kaiser Permanente no Southern California Research and Evaluation Center. Concluiu que:

As crianças cujas mães tiveram hiperémese gravídica — uma forma grave de enjoos matinais — durante a gravidez tinham 53% mais probabilidades de serem diagnosticadas com perturbação do espetro do autismo. 

Southern California Research and Evaluation Center

Este estudo é relevante porque, embora não afirme que a hiperémese gravídica CAUSA o autismo, sugere que existe uma forte ligação entre ambos. Para determinar a frequência das duas condições, a Kaiser Permanente analisou 500 000 nascimentos na área do sul da Califórnia. Compararam as crianças cujas mães foram diagnosticadas com hiperémese gravídica e aquelas cujas mães não tiveram enjoos matinais.

A investigação também concluiu que:

  • A exposição à hiperémese gravídica foi associada a um risco acrescido de autismo quando a condição foi diagnosticada durante o primeiro e segundo trimestres de gravidez, mas não quando foi diagnosticada apenas no terceiro trimestre.
  • A exposição à hiperémese gravídica foi associada ao risco de autismo, independentemente da gravidade da condição na mãe.
  • A associação entre a hiperémese gravídica e a perturbação do espetro do autismo foi mais forte em meninas do que em rapazes, e mais forte em mulheres brancas e hispânicas do que em mulheres negras e das ilhas do Pacífico.
  • Os medicamentos utilizados para tratar a hiperémese gravídica não pareceram estar relacionados com o risco de autismo.
Hyperemesis-Gravidarum

O estudo explicou ainda que:

Os resultados são consistentes com a hipótese de que as mulheres com hiperémese gravídica têm um aporte nutricional deficiente, o que pode, por sua vez, levar a potenciais alterações a longo prazo no neurodesenvolvimento dos seus filhos. No entanto, o estudo não pode descartar outras explicações possíveis, tais como exposições perinatais a certos medicamentos e o tabagismo materno.

Permanente, 2014

Outro estudo foi conduzido em 2018 por Andrew Whitehouse no Telethon Kids Institute, o qual validou ainda mais as conclusões do estudo de 2014.

O estudo concluiu que as mulheres que experienciam HG têm um risco maior de ter um filho com perturbações comportamentais e do neurodesenvolvimento.

Whitehouse, 2018

Estas condições podem incluir atraso intelectual, perturbação de desenvolvimento da linguagem e perturbação de défice de atenção e hiperatividade. 

O estudo determinou também uma ligação entre a hCG, que é a hormona da gravidez, e as crianças que nascem com PEA.

Identificou-se um risco acrescido de descendência com PEA em mulheres com a distribuição de concentração de hCG mais elevada e mais baixa, o que sugere uma ligação entre a regulação atípica de hCG e a PEA nos filhos.

Whitehouse, 2018

Por outras palavras, ter um nível muito elevado ou muito baixo da hormona da gravidez aumenta significativamente o risco de PEA. 

Ambos os estudos reiteraram que isto não significa que os enjoos matinais graves causem autismo. A hiperémese gravídica precisa de ser tratada para que a mãe não perca uma quantidade extrema de peso e para garantir que o bebé recebe nutrição e hidratação adequadas. 

Se gostarias de saber mais sobre este tema, diz-nos e poderemos partilhar mais artigos e investigações sobre a hiperémese gravídica. 

Lê mais sobre este tema neste estudo científico e no Science Daily.

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