Estudo de Caso: Afinal, a Televisão Era o Problema
Em março de 2019, recebi o encaminhamento de um menino de três anos. A educadora estava preocupada com o seu desenvolvimento da fala e da linguagem. Falei com a mãe, que também já tinha reparado que a fala dele...
Em março de 2019, recebi o encaminhamento de um menino de três anos. A educadora estava preocupada com o seu desenvolvimento da fala e da linguagem. Falei com a mãe, que também já tinha reparado que a fala dele não era totalmente adequada para a idade quando ele tinha dois anos. Ela tinha-se informado e disseram-lhe que iria passar com o tempo. Infelizmente, não passou, e as dificuldades dele na fala e na linguagem pioraram.
Quando avaliei este menino, reparei imediatamente que ele tinha dificuldades graves na fala. Falava com fraca qualidade vocal e pouco volume, com um suporte respiratório mínimo, apesar de não apresentar anomalias nas estruturas utilizadas para produzir a fala. Isto afetava negativamente a sua capacidade de articular os sons da fala e de se fazer entender.
Ao analisar o desenvolvimento da sua linguagem, determinei que existia um atraso tanto na linguagem recetiva como na expressiva. Tinha inclusivamente dificuldades em fazer inferências e em usar a linguagem de forma adequada em situações sociais, apesar de ter uma audição normal e de não existirem outros atrasos óbvios de desenvolvimento.
Quando me reuni com a mãe para discutir a avaliação, ela revelou que o aspeto mais frustrante das dificuldades de comunicação era a incapacidade dele em seguir instruções e o seu vocabulário muito limitado, o que o levava a ter birras e reagir mal quando não era compreendido. Ela já não sabia o que fazer. O historial de nascimento, o historial médico e os antecedentes familiares eram todos normais, e ela não conseguia perceber a causa deste atraso de fala e de linguagem.
O Problema
A resposta surgiu quando lhe perguntei pela rotina diária do filho. A mãe indicou que ele via cerca de três horas de televisão por dia depois da escola e que, por vezes, só ia para a cama às dez da noite. Percebi de imediato que era muito provável que esta fosse a causa de todos os problemas.
Como parte do seu plano de intervenção, dei instruções à mãe para não o deixar ver televisão durante a semana e para aproveitar esse tempo a fazer atividades de desenvolvimento da fala e da linguagem. Notámos melhorias evidentes após um mês e uma evolução espantosa ao fim de três meses. No final do ano, o seu desenvolvimento da fala e da linguagem tinha alcançado o nível esperado para a idade, tendo recebido alta da terapia da fala.
Tempo de Ecrã Estruturado com a Speech Blubs
Podes descarregar a nossa aplicação Speech Blubs e utilizar o tempo de ecrã estruturado para explorar algumas das nossas fantásticas atividades focadas na comunicação.
O Tempo de Ecrã Não Estruturado Prejudica o Desenvolvimento da Fala e da Linguagem da Criança

Este caso evidenciou claramente o impacto negativo que o tempo de ecrã não estruturado pode ter no desenvolvimento da fala e da linguagem de uma criança. A verdade é que as crianças aprendem a falar e a comunicar através da interação cara a cara, e a televisão é um substituto muito fraco para isso.
Existe um período crítico no qual a criança adquire a fala e a linguagem, e o excesso de tempo de ecrã não estruturado é extremamente prejudicial para este desenvolvimento. É durante esta fase que o cérebro da criança está mais recetivo a aprender a falar e a construir circuitos de comunicação. Fica muito mais difícil aprender e desenvolver competências de fala e de linguagem depois deste período. É por isso que se trata de uma questão tão séria.
Não acreditas? Aqui estão Algumas Conclusões de Estudos
- Existe uma relação entre o tempo de ecrã não estruturado e o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem nas crianças.
- As crianças que passam mais tempo não estruturado em frente a ecrãs têm piores resultados em testes de desenvolvimento da fala e da linguagem.
- O excesso de tempo de ecrã não estruturado prejudica a capacidade das crianças de desenvolverem a fala e a linguagem de forma ideal.
- Além dos problemas de fala e de linguagem, existe uma relação direta entre o tempo de ecrã não estruturado e problemas de atenção, dificuldades na memória a curto prazo e problemas na leitura.
O que Quero Dizer com 'Tempo de Ecrã Não Estruturado'?
Devido aos efeitos prejudiciais do tempo de ecrã não estruturado, existe a ideia errada de que todo o tempo de ecrã é mau. Isto não é verdade. O tempo de ecrã não estruturado acontece quando a criança se senta em frente à televisão e consome conteúdos de forma passiva.
Por outro lado, o tempo de ecrã estruturado acontece quando tu e a criança utilizam o ecrã ativamente em conjunto para fazer atividades educativas e de desenvolvimento.
Utilizar a aplicação Speech Blubs é um exemplo de tempo de ecrã estruturado. O tempo de ecrã estruturado é benéfico para a criança e para o seu desenvolvimento. O tempo de ecrã não estruturado não é.
Alternativas ao Tempo de Ecrã Não Estruturado

Existem inúmeras alternativas ao tempo de ecrã não estruturado que são melhores para o desenvolvimento do teu filho e que ajudam a que continue a progredir.
Podes experimentar o seguinte:
- Conversa com o teu filho através de perguntas abertas que o incentivem a dizer mais do que uma palavra de cada vez
- Canta canções e lengalengas
- Vai à biblioteca e escolham livros para ler
- Lê os livros que escolheram
- Faz atividades ao ar livre, como jardinagem
- Montem puzzles
- Pintem desenhos
- Brinquem ao “faz-de-conta” com os brinquedos da criança
- Cozinhem algo juntos
- Marca uma brincadeira com um amigo ou dois
- Façam trabalhos manuais, como fantoches de dedo
- Vão a parques de diversão cobertos
- Dêem passeios e brinquem ao “Vejo, vejo”
- Andem de bicicleta ou façam outra atividade física semelhante
- Vão ao parque e passeiem o cão, se tiverem um
- Brinquem em parques infantis ao ar livre ou no jardim público
- Joguem jogos de tabuleiro
Por Natalie Barnes