6 passos para lidar e mudar o mau comportamento em crianças com autismo
Educar uma criança com autismo exige mais paciência e uma abordagem completamente diferente. Muitas crianças no espectro têm dificuldade para regular suas emoções e para comunicar suas necessidades e...
Educar uma criança com autismo exige mais paciência e uma abordagem completamente diferente. Muitas crianças no espectro não conseguem regular suas emoções e têm dificuldade para comunicar necessidades e frustrações. Por isso, os pais precisam analisar cada problema de comportamento para encontrar a raiz da questão.
Para educar qualquer criança, existem estratégias disciplinares positivas e negativas. A disciplina negativa é uma reação ao mau comportamento que busca punir a criança de imediato, como palmadas ou tapas na mão. Embora atitudes como bater tragam resultados imediatos (a criança interrompe a ação), elas não geram resultados a longo prazo para crianças com autismo. Trata-se apenas de um paliativo para um problema maior que precisa de mais atenção.
A abordagem positiva foca em conversar sobre o comportamento e ouvir a criança. Exemplos de estratégias de disciplina positiva incluem:
- Elogios e recompensas pelo bom comportamento
- Regras e limites claros
- Consequências para o mau comportamento
Uma criança com autismo pode não ter as habilidades necessárias para compreender e lidar com uma situação, reagindo de forma inadequada por causa disso. Em vez de aplicar punições negativas, é essencial descobrir a raiz da dificuldade para entender melhor cada desafio individual. Veja a seguir uma abordagem em seis etapas para corrigir comportamentos desafiadores com base na análise do comportamento aplicada.
Em vez de aplicar punições negativas, é essencial descobrir a raiz da dificuldade do seu filho.
6 passos para corrigir o mau comportamento
Passo 1: Reconhecer
Uma das áreas em que as crianças com autismo enfrentam desafios é a comunicação. Se o seu filho é não verbal, pode ser difícil entender o que ele está tentando expressar. Muitas vezes, um comportamento inadequado é apenas a tentativa dele de comunicar algo, como uma sensação de dor.
As crianças com autismo reagem de forma diferente à autoridade. Muito provavelmente, os métodos tradicionais de disciplina não funcionarão com uma criança no espectro. Na verdade, eles podem até produzir o efeito contrário.

Por exemplo, se você grita ou fica com o rosto vermelho ao tentar repreender um mau comportamento, seu filho pode achar isso divertido ou curioso. Com isso, ele pode repetir a mesma atitude só para ver a sua reação.
Passo 2: Mudar a perspectiva
Mude a sua forma de enxergar o “porquê” por trás dos comportamentos difíceis do seu filho. Embora você possa achar que ele continua fazendo a mesma coisa por desobediência, ele pode estar apenas repetindo a ação para comunicar uma necessidade.
Para ajudar você a refletir sobre os motivos por trás de comportamentos específicos, veja algumas perguntas que você pode se fazer:
- “Ele(a) está se sentindo sobrecarregado(a) por estímulos sensoriais?”
- “Pode estar com fome ou com sede?”
- “Pode estar excessivamente cansado(a)?”
- “Está tentando chamar a minha atenção?”
Passo 3: Investigar
Se o seu filho costuma repetir o mesmo comportamento inadequado, tente puxar pela memória e identificar se há um padrão começando a se formar. Esse padrão pode ter uma causa subjacente. É possível que ele esteja vivenciando algum tipo de desconforto antes de agir dessa forma.
Faça a si mesmo a seguinte pergunta: “O que aconteceu logo antes do meu filho começar a se comportar mal?”
Veja este exemplo: uma criança começa a gritar e a cobrir o rosto com as mãos logo após a avó chegar. Um instante antes dessa reação, a avó lhe deu um abraço usando um perfume muito forte.
Essa reação pode ter sido fruto de uma sobrecarga sensorial provocada pelo cheiro intenso do perfume.
Passo 4: Reforçar e aplicar consequências
Mesmo estando no espectro autista, a criança precisa compreender que as ações têm consequências. As consequências servem para moldar o comportamento. No entanto, existem dois tipos que precisam ser usados em conjunto para ajudar a reduzir as atitudes indesejadas.
Reforçadores: Consequências que aumentam a probabilidade de um comportamento positivo se repetir. Por exemplo, se o seu filho se comportar bem, sem crises no restaurante, ele poderá brincar com seu brinquedo favorito no caminho de volta para casa. Ao conquistar o brinquedo por meio do bom comportamento, o brinquedo atua como um reforço positivo.

Punições/Remoções: Consequências que diminuem a probabilidade do mau comportamento. Por exemplo, se o seu filho subir em uma cadeira, retire a cadeira de perto. Tirar o objeto mostra à criança que ela não poderá usá-lo nem para sentar, nem para subir.
Passo 5: Manter a consistência
Assim que você definir um plano de disciplina com consequências claras, seja consistente ao aplicá-las. Se você mudar as regras a todo momento e não mantiver uma postura firme, as dificuldades de comportamento continuarão, pois seu filho ficará confuso.
Crianças com autismo costumam precisar de rotina previsível e consistência — e isso vale também para a disciplina. Manter a constância é fundamental para alcançar resultados duradouros na mudança de comportamentos difíceis.
Passo 6: Fazer ajustes e pedidos
Às vezes, para gerar uma mudança positiva, basta eliminar o motivo gerador do mau comportamento. Se o seu filho fica sobrecarregado com o perfume da avó, peça a ela com carinho para não usá-lo na próxima visita. Isso neutralizará o gatilho da crise antes mesmo que ela comece.

Conclusão
A abordagem de 6 passos baseada na análise do comportamento aplicada pode não apenas transformar comportamentos desafiadores a longo prazo, mas também revelar o significado mais profundo por trás das reações da criança. Para quem é pai ou mãe de uma criança no espectro, educar é um grande desafio. Sempre tento buscar o sentido por trás das crises e atitudes difíceis do meu filho, mas nem sempre é fácil, pois ele tinha dificuldade para expressar suas necessidades.
O maior aprendizado que tive sobre educar uma criança com autismo é que ter paciência e reduzir os gatilhos é fundamental!
Por Liz Talton